Jornada Dupla: entre o triatlo e a maternidade

Mãe da pequena Bella de 2 anos, Beatriz Neres é um dos nomes mais fortes do triatlo brasileiro e figura entre as principais atletas do cenário mundial

É muito comum conhecer histórias de mulheres que tem uma jornada dupla, se dividindo entre a vida profissional e a maternidade. Mas imagine só ser uma atleta de um esporte que exige que você se dedique a três modalidades diferentes e além disso, encarar a missão de ser mãe? Pois esta tem sido a rotina de Beatriz Neres, desde 2016.

Foi justamente no período em que acontecia os Jogos Olímpicos de 2016, realizado no Rio de Janeiro, que a pequena Bella veio ao Mundo. Bia que já havia representado o Brasil na última edição dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, se preparava para participar também das Olímpiadas, mas foi surpreendida pela gravidez e acabou tendo que mudar os planos.

“Estava na fase final de preparação para a vaga olímpica. Depois da maternidade voltei mais forte, mais focada e com mais vontade de ganhar. Hoje faço isso também por ela, o que me deixa muito mais animada nos treinos e me dá força na hora da prova”.

A nova fase da vida não fez com que a triatleta se limitasse apenas a “maternar” e desde a descoberta ela readaptou a sua rotina, mantendo os seus treinos mesmo que de forma e ritmo diferentes, até que a filha nascesse. Após o parto, Bia também teve uma boa recuperação e um rápido retorno a sua vida de atleta. E mesmo não tendo disputado a Rio 2016, ela não ficou totalmente de fora do evento, foi a uma emissora de televisão atuar como comentarista da prova de triatlo, poucos dias após o nascimento de sua bebê.

Bella nasceu em agosto e no mês seguinte Bia participou, mesmo que de forma despretensiosa, da Corrida de Aniversário do Pinheiros (117 anos) com a finalidade de ir retomando o ritmo. E exatos três meses após uma cesariana lá estava ela fazendo sua primeira competição oficial de triatlo.

“É preciso mais dedicação, uma rotina muito certa, um descanso adequado para que os treinos sejam bem aproveitados e muita ajuda da família. Você precisa acordar sabendo que está indo para o trabalho que ama e com pessoas que te apoiam diariamente, e a família neste momento é fundamental”.

Jogos Pan-Americanos

A primeira participação de Beatriz Neres em Jogos Pan-Americanos, foi no de Toronto em 2015 e ela conta que apesar da ansiedade em representar o país em um grande evento, foi uma experiência incrível e acredita que o Pan é um passo importante na carreira de um atleta. Agora para esta edição desde ano, se sente ainda mais preparada. “Chego em Lima com muito mais experiência, sabendo de reais chances de medalha e muito animada para competir”.

A triatleta reforça que de Toronto para cá, obteve resultados importantes que ajudaram a mantê-la bem no ranking mundial, que é o principal critério de qualificação não só para o Pan-Americano, mas também para os Jogos Olímpicos.

“É minha quinta seleção brasileira e a cada ano me sinto mais confiante em poder representar nosso País. A corrida olímpica no triatlo é decidida por pontuação, por isso temos que estar constantemente competindo, a cada fim de semana o ranking muda. Hoje estou entre as 60 do mundo, o que me dá uma posição confortável para largar bem nas provas. Mas ainda tenho muitas provas pela frente e somente em maio de 2020 é que fecha o ranking olímpico no triatlo”, conclui Bia.

Foto: RicardoBufolin/ECP